
Há quem prefira dizer bumbum, anca, nádegas, região glútea ou qualquer um desses termos novos de que se tem conhecimento. Uma rápida consulta aos dicionários de língua portuguesa pode se tornar uma seara farta nesse sentido. Mas bunda é que soa bem, até porque representa o conjunto. Incluindo, claro, o tão discriminado ... (êpa!); aquele mesmo, monossilábico e enrugadinho, que os mais castos preferem apelidar de ânus.
Temos várias situações em que o termo se torna composto, em função adjetivada, ganhando outros sentidos. Bunda de tanajura, por exemplo, aplica-se àquelas avolumadas, vantajosas, protuberantes, grandes mesmo. De tico-tico significa bunda alta, arrebitada. E por aí vai.
Outro termo bastante conhecido é o bunda-suja, que significa pessoa sem importância, pobre, sem poder, ignorante. É o mesmo que joão-ninguém. Bunda-suja geralmente serve para apelidar quem não tira a bunda do lugar, ou melhor, que é preguiçoso, pessimista. Há os que nascem de bunda (ou cu mesmo) pra lua, os que têm muita sorte na vida. Mas isso já é outro papo.
Desnecessário dizer que o termo deriva muitos outros, como bundada, bundaça, bundona, bundudo, bundão. Este último, aliás, é muito usado para xingar sujeito desanimado, fraco ou bunda-mole, termo que deveria estar no parágrafo anterior e não neste aqui. Vale lembrar que bundona, além de significar bunda grande, serve para qualificar mulher com as qualidades de bundão, pessoa tola ou retrógrada.
Nessa peleja hilária de pesquisar sobre a palavra, podemos também encontrar termos parecidos. Numa rápida busca achei pelo menos dois. Um é bundra, que significa barriga ou pança. Outro é bundo, que não é o macho da bunda (bunda não tem sexo). Bundo é a designação genérica de negro ou de qualquer língua de povos negros ou negróides africanos, segundo o Houaiss. Isso, convenhamos, cheira a sacanagem de marca maior. Quanto preconceito com a gente de cor, gente!
Por falar em cor, vai ver que a origem do nome tem relação com a cor do próprio ânus, bem mais “concentrada” que a cor da bunda ou das nádegas ou do que você preferir. E, por favor, nem me peçam pra “filosofar” sobre cheiros. Sabe-se que certas coisas têm odor característico, mesmo nos mais asseados. Sabe-se também que uns tendem a suar mais que outros e, consequentemente... êpa!
Acho melhor encerrar por aqui. Não tarda e vão querer me processar por essa abordagem infeliz. Tá assim de gente besta, racista e preconceituosa por aí (preta, branca, mestiça...) querendo polemizar. E eu não pretendo pelejar com ninguém. Vou mesmo é tirar o meu da reta e bundear por aí. O quê? Você não conhecia o bundear? Ora. É o mesmo que vagabundear, vagabundar ou bater perna. Entendeu?
Ah! Temos também o bundá, bem acentuado no final, que quer dizer a mesma coisa que embrulho, trouxa. Mas isso também já é outro papo. Vou é finalizar, definitivamente, senão vão dizer que estou embrulhando, enrolando, com prosa fiada, fazendo o leitor de trouxa. Francamente. Não sou disso.